terça-feira, 14 de maio de 2013

Alpine


Da Austrália para o mundo. A banda surgiu em 2009 e em agosto de 2010 já começaram a lançar singles que conquistaram diversos fãs no seu país de origem. Atualmente, já invade o mundo e seus vídeos são uma explosão de visualizações. Alpine utiliza em seus clipes não apenas seus sons envolventes, mas a mistura com o modo de gravar e o conjunto de imagens nos levam para outro mundo. Um mundo que se faz tão singular que é possível uma só pessoa retirar diversas interpretações de um simples gesto. E é isso que mais chama atenção, não é necessário nada escandaloso na banda, pelo contrário, eles abusam dos pequenos toques para chamar as maiores atenções para si. O clipe “villages” é uma prova disso quando já ultrapassa os 2 milhões de views. Entretanto, o clipe que mais prendeu a atenção foi “hands”, em que mostra em imagens o psicológico afetado pela prisão, quando as necessidades são postas sobre a mesa e as atitudes afetadas por essa “prisão” começam a vir a tona, como o tédio, os gestos grotescos, a ira, a luta por sobrevivência, o “deixar de lado” a ética e o cuidado consigo mesma e, por último, a expressão simples e forte do prazer. A banda australiana traz consigo diversos motivos para que se deem breves momentos de atenção até que nos apaixonemos pela banda. Confira abaixo o clipe “hands”:




segunda-feira, 13 de maio de 2013

Considerações sobre a Tradução: O Tradutor Literário precisa ser um Escritor?


Por Caio Peroni
Eu nem sempre apresento respostas objetivas às perguntas que proponho. Se quer saber, leitor, é esse o grande barato da vida. Ir dormir com um grande ponto de interrogação na cabeça. Por esse motivo, talvez você chegue ao final do texto sem uma resposta minha; talvez você precise formular a sua.
É fato, contudo, que, por mais que eu não faça o bolo, eu pelo menos dou a receita. Então, mãos à obra!
Chegará o dia em que discutiremos todas as questões a respeito da autoria do tradutor sobre a tradução, mas, para hoje, basta mencionar algo que deveria ser óbvio: o tradutor escreve a tradução. Claro! Mas, por ser o nome do autor do chamado “original” que grita na capa – o mais comum, salvo alguns casos mais específicos, é que o nome do tradutor apareça na folha de rosto –, a maioria das pessoas se esquece de que entre a publicação do livro no exterior e a prateleira de uma livraria brasileira há um profissional chamado tradutor.
A questão é que, ao se debruçar sobre um livro oriundo de uma cultura para transpô-la à sua (ou a qualquer outra), o tradutor não funciona como uma máquina – existem os famigerados tradutores automáticos, que já agem como máquinas, e me arrisco a dizer que com certeza falaremos sobre eles no futuro. Há um processo criativo (eis a palavra-chave!) exercido pelo tradutor no momento da transposição. Existem processos para todos os gostos: conheço tradutores que leem o texto na língua de partida (material chamado “original”) mais de uma vez antes de a tradução começar; já outros vão traduzindo à medida que leem e, depois, releem para garantir que todas as pontas se amarrem.
Não só de processo criativo e releitura é feita a tradução literária. Há muita pesquisa envolvida, também. Quando traduzi “The Raven”, do mestre Edgar Allan Poe, a barreira linguística não foi a única que encontrei. Poe injetou uma boa dose de mitologia religiosa nos célebres versos, e eu precisei me familiarizar com todas as referências para traduzir da maneira mais adequada.
Quantas semelhanças entre a criação literária e a atividade tradutória! Isso tudo nos permite pensar que o tradutor literário precisa, necessariamente, ser um escritor para atuar como tradutor literário?
Como eu mencionei no início, talvez eu não apresente uma resposta muito objetiva. Isso não significa, contudo, que não possa dar um parecer que ao menos soe plausível. Aí vai: se o tradutor literário não éum escritor, ao menos precisa saber como é ser um escritor. Entender a rotina, os anseios, as mais diversas trajetórias, o trabalho com a imaginação, os processos criativos.
Em poucos anos que tenho de prática literária, aprendi que poucas pessoas fora do ramo entendem o trabalho de um escritor. Portanto, o tradutor literário não precisa, necessariamente, sustentar uma carreira como escritor, dar palestras sobre seus livros e publicar regularmente. Ele precisa, contudo, ser capaz de bancar o escritor, pelo menos enquanto traduz.
Afinal, eu sempre pensei que a tradução literária pudesse ser classificada como um gênero. Temos o conto, a novela, o romance e (por que não?) a tradução. Eu diria, portanto, que o tradutor literário já é um escritor, mesmo que jamais venha a publicar um livro em que seu nome grite na capa.


Fonte

quarta-feira, 8 de maio de 2013

Histórias de Amor por Carolina Ferraz


Maria Carolina Álvares Ferraz nasceu em Goiânia em 25 de janeiro de 1968, é atriz, bailarina, apresentadora, modelo brasileira e, às vezes, até escritora. Ficou conhecida nacionalmente depois das diversas atuações que fez nas novelas da Rede Globo, se mostrando irreverente e adaptada a qualquer tipo de personagem.

Falar de amor não é fácil, abrir o coração e contar aquele “pé na bunda” que levamos é mais difícil ainda. Descrever o que sentimos naquele momento de dor, de felicidade. No momento de chegada, no momento de partida. Essa é a proposta do canal da Carolina Ferraz que denomina-se “Histórias de Amor”. Que surgiu quando Carolina e sua amiga e prima e empresária Daniela Álvares resolveram “colecionar” história que falem sobre algum caso de amor na vida. Para tanto, a atriz criou alguns personagens para contar algumas histórias aleatórias, além de alguns convidados. As histórias variam desde aquele que nos invade a alma de tão profundo até o mais irreverente, nos roubando algumas boas gargalhadas. Um projeto simples, ainda modesto e que já rende mais de 100 mil views no youtube. Vale a pena conferir. Visite o canal.





terça-feira, 7 de maio de 2013

“O teatro é consequência do baixo nível de educação do brasileiro”

Mariana Marinho


Senhorita Júlia, peça escrita em 1887 por August Strindberg (1849 – 1912), é considerada um marco da dramaturgia naturalista. A obra aborda a disputa entre os sexos e as classes e a contradição entre pulsão erótica e realidade.
Encenada pelo Grupo TAPA, a peça ganha contornos de “peça-sonho”. Nela, a ação se desenvolve sob o olhar da cozinheira (Paloma Galasso), cuja presença, sempre atenta, confirma a máxima imortalizada por Jean Paul Sartre: “o inferno são os outros”.
“Strindberg, em um ponto da sua carreia, se enveredou por caminhos mais oníricos. Tratamos a peça, apesar do seu naturalismo, com elementos inusitados de um sonho”, explica Eduardo Tolentino de Araújo, diretor artístico do TAPA.
O espetáculo é o segundo a estrear na intervenção TAPA no Arena – Uma Ponte na História. Até dezembro, a ocupação trará para o palco do Teatro de Arena Êugenio Kusnet dezessete espetáculos do repertório do grupo e de convidados. O primeiro foi Breu, de Pedro Brício e direção de Maria Silvia Siqueira Campos e Miwa Yanagizawa.
Tolentino conta que existem pontos em comum entre as trajetórias do grupo e do Teatro. O Arena, inaugurado em 1953, foi berço de experimentações teatrais e é um marco da resistência contra  o período da ditadura militar brasileira. Por ele passaram dramaturgos como Augusto Boal e Plínio Marcos.
“Quando fazemos um projeto como esse, tentamos buscar um padrão de excelência e um diálogo com o público”, comenta Tolentino, que enxerga uma crise no teatro e na atual sociedade. “A qualidade do nosso desenvolvimento humano está muito baixa. O teatro pode ser um pouco à frente, como é a arte em geral, mas não tem como ir tão além”, completa.
Em entrevista concedida à CULT, Eduardo Tolentino fala sobre o TAPA, a sociedade e o teatro brasileiro.
CULT - Por que o nome Uma Ponte na História?
Eduardo Tolentino - Fazemos alguns traçados na história do Grupo TAPA e da trajetória do próprio Teatro de Arena. Essa ideia nasceu porque existem muitos pontos em comum entre o repertorio do TAPA e do Arena, como a abordagem de obras clássicas como A Mandrágora, que foi um sucesso em comum, além de autores como Martins Pena e Pirandello.
O que mudou no seu papel de diretor desde que começou no TAPA, em 1979?
Depois de quase 35 anos de TAPA, são várias mudanças de rumo ao longo do caminho. Mudanças do próprio país, mudanças dentro da gente. Sinto que estou numa fase muito estimulada. Se você me perguntasse isso há cinco anos eu não diria o mesmo. É um momento bastante rico para o TAPA. Acabamos de sair de um festival de verão com oito peças e estamos estreando essa ocupação.
Certa vez, você declarou que o teatro brasileiro de antes era muito melhor do que o de agora. Por quê?
Quando comecei a fazer teatro, ele se encontrava num outro patamar. Hoje, temos uma enorme quantidade de teatros, mas não temos qualidade de montagens e espetáculos. Não ampliamos na qualidade das interpretações, da dramaturgia, da direção.
Mas não dá para o teatro ser melhor do que o próprio país. O próprio declínio da educação fez isso com o teatro. Temos uma educação de massa, que em certo aspecto é interessante porque envolve muito mais gente. Mas a qualidade dessa educação tem reflexos sérios na sociedade em que vivemos. Ainda não estamos sentindo o preço disso no futuro. Observamos no presente.
O teatro é uma consequência disso. Do baixo nível de educação do brasileiro. A qualidade do nosso desenvolvimento humano está muito baixa. O teatro pode ser um pouco à frente, como é a arte em geral, mas não tem como ir tão além.
Como melhorar a formação do público que vai ao teatro hoje?
Mexendo na estrutura da educação do Brasil. Não adianta usar demagogia, dizer que as crianças estão na escola só para melhorar o IDH em relação aos outros países. Isso é só uma cifra. Temos que melhorar a qualidade desse ensino.  Não só por causa do teatro, mas porque as pessoas precisam ser mais potentes e capazes de enfrentar o mercado de trabalho.
Como o teatro pode sobreviver nessa sociedade deficiente de educação e pautada pela tecnologia?
Vivemos em uma cidade com cerca de 20 milhões de habitantes. Cerca de 200/300 mil pessoas vão ao teatro. Mas, ainda hoje, há pessoas que nunca foram ao teatro. A ocupação visa isso, também, introduzir as pessoas à linguagem teatral. Mas, sem dúvida, temos que nos atentar com relação ao futuro e à tecnologia.
No caso do jornalismo, por exemplo, uma coisa é um jornal impresso que cai na sua mão e você acaba lendo coisas que a princípio não eram do seu interesse e acaba se interessando por elas. Outra coisa é você, com uma massa de informação muito grande, pensar ver um blog sobre um assunto que não é do seu interesse.
É o mesmo com o teatro. Temos que pensar em outros mecanismos para captar esse público. Porque sem o público, o teatro não faz sentido. Temos que nos impor pela qualidade. Vi muita gente de bastante talento passar porque se acomodou e deitou no louro do talento. Nós só temos um caminho, e é o trabalho.
Você acredita, então, que o TAPA sobrevive até hoje por que nunca deixou de trabalhar?
O trabalho, a capacidade de se reinventar, andar por vários caminhos, trabalhar com atores antigos e novos, misturar tudo isso. Fazer caminhos para frente, para trás. Um grupo se mantém por vários motivos. Mas se sintetizássemos, sim: teríamos a ideia do trabalho como motor.
Você enxerga um teatro brasileiro pautado em atores-estrelas? Quais são os problemas decorrentes desse fazer teatral?
Quando o teatro brasileiro nasce no século 19, cria-se um mito do ator protagonista. Este mito foi rompido lá pela década de 1940, com os comediantes do Rio [de Janeiro] e alguns conjuntos, como o TBC (Teatro Brasileiro de Comédia), o Arena, o Oficina e grupos derivados deles. Porém, a televisão retornou com essa ideia do ator protagonista, da estrela. O que nada tem a ver com o teatro. O teatro enquanto ‘estrelar’ é um culto à personalidade e não ao teatro em si. Nós tentamos ser pós-modernos e somos pré-modernos e românticos. Isso é o declínio de que falo. O teatro brasileiro deu um grande passo para trás com isso.

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Clarice Falcão, Monomania



O blog “acompanha café?” foi estreado falando justamente de Clarice Falcão, nada melhor do que ela para dar um pontapé nos trabalhos. Juntamente com alguns outros artistas, Clarice foi a revelação do ano de 2012. A atriz, cantora e roteirista, cativou uma gama de fãs com o seu jeito simples de fazer música, de fazer arte. Foi brincando com as palavras que ganhou espaço no cenário musical. Atualmente, o seu canal no youtube chega a quase dez milhões de visualizações, três vezes mais em relação a primeira postagem, não resta dúvidas do seu sucesso. Hoje, a pernambucana lança o seu álbum, que recebe o nome da sua música mais famosa Monomania, a estreia será no seu primeiro show como cantora, no Solar Botafogo, no Rio de Janeiro.


quinta-feira, 2 de maio de 2013

Crônicas, por Maitê Proença


Maitê Proença Gallo, filha de Margot Proença e Eduardo Gallo, nasceu em São Paulo em 1958. Durante a juventude, Maitê conheceu o mundo, em uma de suas viagens à Paris que teve o primeiro contato com as artes cênicas. Ao retomar ao Brasil, anos depois, por problemas familiares, ingressou no curso de teatro com Antunes Filho e começou a estudar roteiros para cima no Museu da Imagem e do Som. Foi quando recebeu o seu primeiro convite para se fazer presente na televisão, dessa vez, recebendo um convite do Jornalista Mário Prata, para um teste na TV Tupi. Sua estreia como atriz na televisão brasileira foi em 1979 com a novela Dinheiro Vivo, a partir daí Maitê foi um sucesso total. Atualmente, já carrega no seu currículo a participação em mais de quarenta novelas, mais de vinte filmes, mais de dez peças teatrais, sem contar a sua aventura que deu certo na literatura. Além de alguns romances já escritos, o que muito chama atenção é a sua coletânea de crônicas, em seu site, a escritora deposita os seus pensamentos sobre a vida, contando diversas histórias que mais parecem um diário, nos fazendo viajar no amor, na dor, na paixão, na idade que chega a perturbar. Maitê nasceu e vive para fazer história. Para ter acesso às suas crônicas, clique aqui.

Trecho de “Amor da Minha Vida”:

Meu amor tem de ter uns certos ciúmes, e reclamar quando eu precisar viajar pra longe. Pode se meter com minha roupa, com corte do cabelo, e achar que sou distraída e não sei dirigir. Quando ficar surpreso de eu ter chegado até aqui sem ele, afirmarei sem ironia, que foi mesmo por milagre. Este homem deve querer nosso lar impecável, com flores no jarro, e é imperativo que faça tromba quando não estiver assim. Ele irá me buscar no trabalho e levará direto pra casa, nada de madrugadas na rua! Desejo enfim que meu amor me reprima um pouco, e que me tolha as liberdades - esse vôo alucinante e sem rumo, anda me dando um cansaço danado.


quinta-feira, 25 de abril de 2013

Homens se travestem para protestar


Uma cora­josa cam­pa­nha viral na inter­net está pro­tes­tando a favor da igual­dade de gênero no Irã. O grupo no Facebook “Kurd Men For Equality” reúne fotos de homens tra­ves­ti­dos para afron­tar as ideias con­ser­va­do­ras sobre mas­cu­li­ni­dade e feminilidade.
Cerca de 150 homens cur­dos já fize­ram este “pro­testo cros­s­dres­ser” em res­posta a uma puni­ção apli­cada na pro­vín­cia de Marivan, que obriga homens con­de­na­dos a andar pelas ruas com rou­pas de mulher. Essa puni­ção tem como obje­tivo a puni­ção pela humilhação.
A cam­pa­nha Kurd Men For Equality quer mos­trar que ser mulher não é algo humi­lhante. Segundo o site GayStarNews, a humi­lha­ção pública é uma puni­ção comum no Irã. No entanto, esta é a pri­meira vez que um homem foi obri­gado a se ves­tir com uma tra­di­ci­o­nal ves­ti­menta femi­nina e andar pelas ruas.
A orga­ni­za­ção femi­nista Marivan Women’s Community pro­tes­tou con­tra a con­de­na­ção e foi às ruas. Em soli­da­ri­e­dade, um homem cha­mado Massoud Fathipour pos­tou uma foto ves­tido como mulher (ima­gem acima). Depois dele, vários outros fize­ram o mesmo, ini­ci­ando o viral.
Segundo o site Queerty, 17 depu­ta­dos ira­ni­a­nos assi­na­ram uma peti­ção ende­re­çada ao Ministério da Justiça con­de­nando a puni­ção e afir­mando que é uma “humi­lha­ção à mulher muçul­mana”. Esse Drag Race de pro­testo é uma ótima notí­cia vinda do Irã, um dos paí­ses mais homo­fó­bi­cos e con­ser­va­do­res do mundo. Por lá, a homos­se­xu­a­li­dade pode levar à pena de morte.


quarta-feira, 24 de abril de 2013

Lispector


A escritora e jornalista ucraniana, declaradamente pernambucana, nasceu em 1920. Firmou-se no cenário literário escrevendo contos e romances com a temática existencial e psicológica, que teve como foco a exploração do íntimo dos seus personagens, em especial as figuras femininas. Em suas obras é evidente a base fincada em sensações, memórias e pensamentos do personagem, invadindo cada detalhe que se passa nos lugares mais profundos de uma pessoa, fazendo, dessa forma, com que nos identifiquemos com as suas criações. A sua tática de escrita apresenta um domínio que poucos conseguem, quando transforma uma prosa em quase poesia, na utilização de metáfora, sinestesias e demais recursos que, ao lermos Clarice, temos a impressão de estar cantando uma música acobertada da mais bela harmonia. Proporcionando-nos, destarte, não apenas o conteúdo denso (que é bastante), mas também um extenso valor artístico. Outro ponto que não se passa batido em suas obras é o choque entre os valores da época, enraizados em um moralismo perturbador, para com o desejo de libertação que os seus personagens traz consigo, nos fazendo lembrar, por vezes, da eterna Jane Austen. A autora, com o talento que deposita em suas obras, conseguiu invadir diversos mercados. Recentemente, ganhou uma importante premiação norte-americana “Melhor Livro Traduzido nos Estados Unidos” dentro da categoria de ficção, isso só confirma as palavras acima proferidas. Que este nome jamais seja esquecido, Clarice Lispector.


terça-feira, 23 de abril de 2013

Marcia Tiburi


Mania de carrão


O automóvel é para poucos um meio de transporte. Produto para a indústria e o mercado, ele deve surgir como fetiche na consciência coisificada dos usuários. É dessa coisificação que depende o sucesso das vendas e o aumento da produção. O aumento da produção gera emprego, dirão uns, gera capital, dirão outros. Que o carro seja central na economia política de uma sociedade marcada pelo descaso com o transporte público explica a supremacia do privado, o poder do dinheiro em detrimento da cidadania. O núcleo bárbaro de nosso estado social refere-se também ao declínio do espaço público ocupado pelos carros em uma sociedade motorizada quando já não há por onde seguir.
É evidente que o espaço social da rua, este espaço desvalorizado onde vivem excluídos e marginalizados, moradores sem casa, se tornaria o lugar onde o capitalista motorizado ostentaria seu poder automobilizado. O motorista realiza a ideia de que a racionalidade técnica é a racionalidade da dominação por meio de sua máquina impressionante. Andar a pé, uma prática totalmente antitecnológica, tornou-se um perigo, cujo risco é deixado ao despossuído. A posse é o espaço a ser percorrido. Os carros nas grandes cidades congestionadas surgem como marcadores de lugar: quem pode mais ocupa mais espaço em relação a quem pode menos. Assim é que a sociologia do trânsito de nossa época tem que se ocupar não apenas com a divisão do espaço, mas com a tradicional avareza do capitalismo aplicada ao movimento nas grandes cidades. Não se trata mais do simples direito de cada um à cova medida; o movimento lento dos carros nas ruas enfartadas lembra o funeral em que todos estão a caminho de um grande enterro.
Fetiche automobilístico
O carro faz parte da mitologia cotidiana. Ayrton Senna foi o deus maior sacrificado no ritual do automobilismo, ritual do qual participam as massas encantadas com seus brinquedinhos mais baratos.
Mas para entender o fenômeno do fetiche automobilístico de nossos tempos podemos pensar algo ainda mais elementar: quem compra um carro nunca compra apenas um carro, compra a ideia vendida pela propaganda do carro. A ideia é sempre a mesma, compra-se um poder. Com o poder na forma de um carro, o motorista pode transitar pela rua.
Um carro permite a ostentação fundamental que se tornou meio de sobrevivência em uma sociedade competitiva na qual, mesmo não sendo um vencedor, sempre se pode parecer um. A ostentação é parte essencial do sistema simbólico em que o reconhecimento deturpado diz quem somos e o que podemos ser dependendo do que possuímos.
Do mesmo modo que o menino rico ganha um carro dos pais assim que aprende a dirigir não porque o carro seja necessário, mas porque é sinônimo do tornar-se adulto ou pelo menos do parecer adulto, o menino pobre que trabalha como empacotador no supermercado economiza dinheiro para comprar um carro porque, também ele, entende que é o carro que o torna alguém numa sociedade de pilotos. Assim, ele não questiona seu trabalho escravizado, pois pode chegar ao fim da corrida alcançando o bem desejado por todos os que, na qualidade de vencedores ou vencidos, não se colocam a questão de parar a corrida.
Assim é que entendemos o caráter de máscara dos automóveis. A questão de ser quem se é define-se no meio de transporte que se usa. Da bicicleta ao carro blindado, do ônibus que sai da periferia à Ferrari, cada um é reduzido ao transporte que usa. Quem não tem carro, pois ele está ao alcance de todos independemente dos sacrifícios implicados em sua aquisição e manutenção, pratica um ateísmo. O dono do carrão expõe, como um exibicionista expõe seu sexo, uma verdade teológica.

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Santanna, o Cantador


Santanna é nordestino de Juazeiro do Norte, no Ceará, nasceu em 29 de fevereiro de 1960. O cantador mais romântico já visto teve como inspiração para adentrar no pé de serra, o eterno Rei do Baião, Luiz Gonzaga, que conheceu em 1984, tornando-se amigos. Estreitou laços e aprendeu muito com Gonzaga, fazendo diversas participações em seus shows, bem como realizando as aberturas e vocal. Apenas em 1992 tomou a cantoria como sua profissão. Pois bem, não resta dúvidas pra quem conhece o seu trabalho, que o cantador não fica nada por trás do talento do Rei do Baião, inclusive quando se trata das suas composições. Santanna deposita nas letras das suas músicas o romantismo, o sofrimento, os mais aventurados casos de amor, nos levando pra perto de quem amamos só de escutar. O poeta já é eterno no coração dos fãs e na história do forró pé de serra, merece todo o respeito do mundo, porque fiel, como ele, à boa música brasileira, poucos são. Eterno, Santanna. 

Me Dá Meu Coração - O Cantador: